fev
13

Índia: Um país de muitos, mas para poucos…

Nestes três meses de Índia, sendo trinta e cinco dias em Rishikesh, dos quais de certa forma me “impediram” de viajar mais pelo país, principalmente, para o Sul, onde originalmente eu queria ir para Monbay, Goa e Kerala. Por outro lado, pude conhecer mais o Norte, tanto o oeste, quanto o leste. Provavelmente a Índia será o País que ficarei mais tempo ao longo desta jornada, logo o que mais me permitirá  entender a cultura também.

Tentarei descrever um pouco, do que foram minhas impressões deste país, que de certa forma, se parece tanto com o Brasil.

1)  A multiplicidade religiosa é bem grande, mesmo sendo a maioria Hindú (http://en.wikipedia.org/wiki/Hinduism), onde dentro do mesmo, existem algumas divisões. É possível também encontrar  mulçumanos, já que a influência árabe/ persa foi grande ao longo do anos;

2)  A quantidade de Divindades, também é grande, o que corresponderia aos nossos Santos e já que a Igreja Católica, acabou com a idéia de culto a diversos deuses, o que lhe enfraquecia o poder e substituiu pelos Santos. Os três principais  Deuses são: Brahma (http://en.wikipedia.org/wiki/Brahma), considerado o criador, Shiva (http://en.wikipedia.org/wiki/Shiva), o destruidor ou transfomador e Vishnu (http://en.wikipedia.org/wiki/Vishnu), considerado o Deus do Universo;

3)  A maioria dos indianos, principalmente os mais religiosos, “seguem”ou se orientam religiosamente e espiritualmente pelos Gurus, que poderíamos comparar aos padres ;

4)  A diversidade cultural, também é enorme, principalmente pelo fato de ao longo dos anos a Índia ter sido invadida por povos árabes e também port e sido por certo tempo, colônia Inglesa;

5)  O mesmo vale dizer da diversidade racial, onde podemos encontrar indianos de vários tons de pele, desde o indiano negro, o marrom e o branco.;

6)  Por toda essa diversidade cultural,e etmológica, a culinária não podia ficar de for a, sendo considerado um dos países com a melhor cozinha do mundo e onde predominam as famosas especiarías indianas (ervas, temperos, sementes…). Uma verdadeira fusão de sabores;

7)  Com seus mais de 1.2 bilhões de habitantes e uma densidade demográfica que fica entre os 31º países do mundo (+360/Km2), apresenta uma grande desigualdade social e fica em 134º lugar no HDI mundial;

8)  As cidades são bem sujas, como todos falavam, mas bem menos do que realmente imaginamos, já que não apresentam um sistema de coleta de lixo organizado. Nas cidades menores, nem pensar;

9)  Um péssimo hábito dos indianos e literalmente empurar o lixo para o lado, só tirar da frente;

10) Uma coisa que impressiona também, é a quantidade de pessoas que trabalham nos lugares e/ou que executam determinado processo/ tarefa. Só para exemplificar, vi duas pessoas para usar uma pá!!!;

11) O  transito é caótico, mas o maldito hábito de buzinar, faz parecer pior ainda;

12) A quantidade querendo te aplicar um 171, é impressionante, o que é um contraste com o imaginário que fazeemos da Índia e isso te deixa com a impressão e talvez certeza de que todo indiano quer te enganar. Pode ser que não, mas não acredite em nunhum, ou acredite desconfiando, mesmo nos mais inocentes garatos, aos mais idosos.

13) Em um país que a homoxessualidade só foi legalizada a pouco mais de um ano e para nossa mente occidental, é bem diferente ver dois homens de mãos dadas, sentando no colo de outro homem, no metro ou até abraçados carinhosamente com a maos nos ombros, passeando pela rua;

14) As mulheres estão ganhando mais espaços nos últimos anos, mesmo ainda sendo a minoria da populção e com menor índice de alfabetísmo, mas algumas curiosidades ainda acontecem, como por exemplo: viajar sozinha, fumar, andar de mãos dadas com os parceiros, casamentos ainda são arranjados;

15) Pelo fato de ter sido colônia inglesa, até 1947, muitos indianos falam ingles e é divertido ouvi-los, emu ma mesma conversa, misturar as duas linguas. Isso também é uma forma quase que explícita de demonstração social. Nos shoppings mais chics é mais comum o ingles do que o hindi.

16) Como temos uma imagem pre concebida da Índia, alguns podem achar que todos são praticantes de Yoga, de meditação, que se vestem de forma típica e etc. Porém isso não acontece tanto assim, pois com o crescimento economico e com a globalização, a ocidentalização já faz parte do cotidiano e desejos;

17) Mas apesar de toda ocidentalização ainda é possível ver homens  e mulheres tipicamente vestidos, mesmo os mais ricos;

18) Nos grandes shoppings de Delhi, é possível ver as pessoas consumindo freneticamente, as lojas estão cheias e tem grandes marcas internacionais;

19) Talvez por conta da religião, o país não tem uma bebida alcóolica típica, o rum é bem comum, porém eles misturam com água. Em termos de bebidas não alcoólicas o Massala Ghay, o nosso café com leite, é o mais tradicional;

20) Não é tão comum assim ver indianos fumando, bem, pelo menos, bem menos do que na China e muitos fumas o Bidi, um cigarro feito com a própria folha de Tabaco e fumo.

21) Ainda hoje é possível ter 3 esposa, porém isso é mais comum entre os hindus de origem mulçumana, mas mesmo assim este quadro vem diminuendo, talvez por conta da vida moderna;

22) Mesmo em cidades grandes, não se assunte se ver algum indiano tomando banho publicamente, claro que não nú;

23) Os jovens indianos, claros os mais “metidos”ou playboys, são bem característicos, com seus cabelos com gel ou oleo, óculos imitação de Ray Ban e dirigindo suas motos, parecem sair das telas de cinema de Bollywood;

24) Outra coisa interessante, é a questão da vaidade, com a beleza, mesmo entre os homens;

25) É muito comum o assídio à mulheres ocidentais e mesmo orientais (chinesas e coreanas), onde os jovens e até mesmo adultos, usam todo seu repertório de sedução e malandragem, Como a vida sexual, muitas vezes, ainda, está associada ao matrimonio e/ou namoro “sério”, as mulheres estrangeiras são uma forma de fazerem sexo, sem compromisso e há ainda os casos que as seduzem para casar e sair do país e pegar outra nacionalidade;

26) Todo esse tempo e andando por várias cidades, grandes e pequenas, não me senti ameaçado, em relação a assalto, em momento nenhum, mesmo andando com minha máquina fotográfica, em todos os lugares. Também não ouvi e nem soube de nenhum caso com outros turístas, nesse ponto o país me pareceu bem seguro;

27) Mesmo com todo este sentiment de segurança e mesmo o povo sendo considerado pacifico, tendo em sua história uma revolução sem armas e ainda por cima o hinduísmo pregando fortemente a não violência, é contraditório ver policiais armados, com rifles e espingardas, que provavelmente ainda datam da primeira Guerra (rs).

28) Algo que incomoda bastante ao ponto da inconveniência é o assédio dos vendedores, ambulantes e pedintes, nas ruas. Pessoas querendo te “ajudar”, querendo oferecer auto rickshaw, te convidando para entra nas lojas, “oferecendo”poojas e etc..Claro que se passer aqui uma ou duas semanas, talvez não se sinta assim, mas passer 3 meses, foi um teste de paciência e controle…;

29) Não aceite nada que supostamente seja de graça ou apenas par ate ajudar, se for aceitar, diga logo que não vai pagar nada;

30) Em duas situações tentaram me pegar no golpe de trocar as notas, ou seja, dei uma nota de Rs500,00 e o cara trocou por uma de Rs100,00 e disse que eu tinha dado a nota errada. No primeiro caso eu vi a troca e o cara ficou sem graça e ainda discutimos, o segundo caso  eu não vi, mas como as notas de Rs500,00 eu deixo em um bolso separado, sabia que nao tinha dado a nota de Rs100,00;

31) Sobre barganhar, eu acho que já falei em algum outro post, mas vale reforçar. Nunca, nunca aceite o preço que te dão de primeira, mesmo que seja o da etiqueta, alguns produtos tem o preço no próprio rótulo do fabricante. Um pequeno exemplo foi um Lungi (tipo sarongue masculino), que eu queira comprar, o vendedor falou que custava Rs 400,00 (8,00 dólares), me recusei e fui em outro lugar, comprei 3 da mesma marca e qualidade por Rs300,00. O que mais me irrita é que fazem isso par ate sacanear mesmo, par ate “roubar”, em diferente de outros povos, que negociar faz parte da cultura;

32) Dificilmente vai achar um supermercado, nos modelos que estamos acostumados a ver, mesmo os mercados menores, não tem, o que vai encontrar são lojinhas, tipo quitandas ou bazares;

33) Se você é do tipo que se incomoda quando invadem sua privacidade, seu limite de espaço e/ou se irrita quando não respeitam seus direitos, então não venha para Índia. Os indianos não sabem o que é limite de espaço físico, não sabem respeitar um fila, não sabem respeitar o silêncio, não sabem se quer respeitar mão e contra mão;

34) Caso se depare com alguém falando como se tivesse com um ovo quente na boca, fazendo cara de cavalo para falar e com a boca/ dentes vermelhos, não se assunte, esta pessoa não está com a boca sangrando, está apenas mascando Tabaco;

35) Apesar da Índia estar entre os Bric’s, foi o pior país com acesso a Internet que tive experiência até agora, tudo bem que não bloqueia sites, como a China, mas as conexões são horríveis. Por isso se for ficar aqui mais de um mês, pense em comprar um modem 3G;

36) Não se assuste também se estiver comendo em algum lugar, mesmo que mais “limpo”, ver um ratinho perambulando por lá.

fev
13

Gatronomia Bodh Gaya

Por ser um grande centro de Budismo e com presença forte de Tibetanos, a culinária de Bodh Gaya é bem característica deste país, com Momos e Macarrão Frito com legumes (veg.) ou carne (no veg.)

Três boas opções são: Tibet Om Café, Mohammad  Restaurant e Green “Qualquer Coisa” Restaurant, não lembro o nome agora, mas fica na “praça” onde os ônibus param (bus parking

fev
13

Dicas Bodh Gaya

1)  Aproveite os templos par air meditar;

2)  Vá para o campo de meditação (Rs25,00) que fica dentro do complexo;

3)  Hospede-se na Mohammad Guest House, que fica dentro de uma comunidade local e tem um bom banho quente.

4)  Se preferir, também pode tenatar ficar em algum temple ou monastério.

fev
13

Budh Gaya e Encontro Internacional de Budismo

Depois dos poucos, mas intensos dias em Varanasi, no dia 31/01/12, fui para Bodh Gaya (http://en.wikipedia.org/wiki/Bodh_Gaya), cidade que provavelmente é considerada uma das mais sagradas para o Budismo, já que foi lá, depois de 49 dias de meditação, de baixo de uma árvore Bodhi Tree (http://en.wikipedia.org/wiki/Bodhi_Tree), que Gautama Buddha (http://en.wikipedia.org/wiki/Gautama_Buddha), teve sua iluminação e a partir daí, fundamentou o que hoje são consideradas as leis ou regras do budismo, isso a cerca de 2600 anos atrás.

A cidade de Budh Gaya, em si fica a uns 30/40 minutos, de tuc tuc (Rs100,00), da estação de trem. É um vilarejo/ cidade, bem pobre do estado de Bihar, é um grande centro de peregrinação de monges, lamas e pessoas da religão budista, do mundo inteiro, principalmente do Tibet, que se espalham por todos os lugares. Além da grande atração que é o Templo Mahabodhi (http://en.wikipedia.org/wiki/Mahabodhi_Temple_Complex), mais um World Heritage da Unesco e a árvore (Bodh Tree), a cidade tem vários monastérios budistas, de vários países, (Tibet, Japão, Tailandia,…) que foram construídos por seus respectivos governos e estes monastérios são grandes centros de meditação e pujas (missa). A grande maioria funciona de 08:00 as 12:00 e de 14:00 as 17:30

Por obra do destino, eu cheguei justamente no dia que começava um Encontro Internacional de Budismo, estão a pequena cidade estava lotada de monges budistas do mundo todo, além de várias apresentações artísticas, dos países, basicamente da Ásia e Sudeste Asiático.

Sem dúvida foi um dos momentos mais especiais de toda viagem pela Índia.

Uma outra atração do local é uma caverna Mahakala Caves,  que fica a cerca de 50KM de Budh Gaya, mas dá para ir de Tuc Tuc (Rs350,00 – Rs400,00 ida e volta) e o mais legal deste passeio é que fui passando por pequenos vilarejos, bem rurais.

fev
13

Matei a cobra e ….coloquei no vidro!!!

Bem, não matei a coitadinha da cobra, foi só para compor o título do post mesmo, mas a situação foi veridica mesmo.

Eu e as duas brasileiras que tinha reencontrado em Varanasi, fomos juntos para Sarnath, local da primeira prece, depois que Buddha teve a iluminação, o local hoje é um parque/ grande jardim, com uma Stupa (http://en.wikipedia.org/wiki/Dhamekh_Stup).

Já estávamos saindo do tal local, andando pelos gramados, quando vimos uns 10 indianos mexendo/ cutucando um arbustro com pedaços de galho. Eu logo disse: Deve ser cobra!!! Pois duas noites atrás eu tinha visto um programa, ainda em Khajuraho, no canal Animal Planet, onde o sujeito mostrava como pegar cobras e tal e eu fiquei pensando: Ainda vou fazer essa porra.

Não deu outra, era cobra mesmo, não muito grande, na verdade até pequena, tamanho de um braço e fina, mas venenosa (pela cabeça). Os caras estavam tentando tirá-la do arbustro, para colocá-la em um vidro, mas niguém pegava o indefenso répitil. A imagem do programa veio a minha cabeça no mesmo momento e então transpassei a pequena cerca e fui lá, a princípio o olhar, mas não ressisti e peguei um dos galhos, prendi a cabeça da coitada e com a outra mão segurei o rabo, depois aos poucos e cautelosamente, fui colocando-a no tal recipient, até que por fim ela já estava devidamente “armazenada”. A operação não durou mais do que 4/5 minutos e todos os indianos, mais alguns outros curiosos que deviam estar imaginando: O” que aquele gringo idiota está fazendo alí? ficaram me olhando com cara de: Quem é esse cara?”, enquanto eu ia embora com as duas brasileiras…

PS: Bem que eu poderia ter visto algum outro programa, já que estava em Khajuraho, terra do Kamasutra, tipo um Sexy Hot…

 

fev
13

Agradecimentos Varanasi

Em Varanasi, reencontrei duas brasileiras que havia conhecido em Khajuraho: Aline (uma japinha) e Guilia e com elas fui a Sarnath e passamos um dia inteiro andando pelos Ghats.

Varanasi, também foi local de reencontro com 4 espanhóis que conheci em Amritsar: Ruth, Tobi, Marta e Aitor, mas só encontrei mesmo com a Ruth e Tobi, já que o Aitor estava “internado”na pousada com diarréia e a Marta ficou cuidando deles

fev
13

Gastronomia Varanasi

Não tenho muito o que dar dicas de pratos em si, mas recomendo dois lugares para se comer bem e barato:

Monalisa e Blue Lassi (mehor lassi da Índia).

fev
13

Dicas de Varanasi

1)  Não deixe de pegar uma canoa para ver o nascer do sol, as 6:00, vai pagr entre Rs50,00 e Rs100,00 a hora, depende de onde pega a canoa e de sua negociação;

2)  Não deixe também de atravessar para outra margem, para ver o pôr do sol, as 16:30;

3)  Assista as cerimônias noturnas, a principal e maior é no Main Ghat, as 17:30

4)  Prepare-se para dizer “No Thanks”o tempo tod, não muito diferente de todos os outros lugares;

5)  Acompanhe as cerimônias de cremação, não é permitido filmar ou fotografar!!!;

6)  Varanasi é famosa também por vender seda de ótima qualidade, então se quiser comprar algo feito deste material aproveite;

7)  O mesmo vale para tablas e citar, instrumentos musicais.

8)  Vá até o local (Sarnath) onde Buddha realizou sua primeira prece.

9)  Se chegar de trem, vá na cabine de Tourist Information e pegue o mapa com as dicas;

10) Hospede-se próximo aos Ghats,se possível em algum lugar com vista para o Rio.

fev
13

Varanasi, o lugar mais sagrado da Índia.

Depois de sair da cidade dos Templos do Kamasutra (Khajuraho), fui para Varanasi (http://en.wikipedia.org/wiki/Varanasi), no dia 27/01/12, em mais uma viagem noturna de trem, mas desta vez, mesmo tendo ficado na cama superior, que não dá nem para ficar sentado, consegui dormir um pouco melhor, já que no compartimento, não tinha ninguém que roncasse.

Cheguei em Varanasi, por volta das 11:00am e a primeira impressão foi a de estar em mais uma cidade grande qualquer, com transito caótico, com rickshaws businando para todos os lados e etc, longe do meu imaginário para cidade que é tida como a mais sagrada da Índia e também a mais antiga.

No primeiro dia, assim que fiz o check in na Guest House, fui dar uma andada pelas margens do Rio mais sagrado para o Hinduísmo, o Ganges (http://en.wikipedia.org/wiki/Ganges), o mesmo que passa por Rishikesh e que ainda bem eu já havia tomado meu banho nele, por lá. Fiquei andando e passando pelo Ghats (http://en.wikipedia.org/wiki/Ghats_in_Varanasi), que são os “portões”que até hoje servem de referência para todos, sendo os principais deles o Main Ghat (http://en.wikipedia.org/wiki/Dashashwamedh_Ghat) e o Manikarnika (http://en.wikipedia.org/wiki/Manikarnika_Ghat), onde os corpos são cremados ao ar livre e a cada 10/15 minutos, sem parar, todos os dias.

Não por muito, esta caminhada ao longo da margem, já foi o suficiente para sentir o clima do lugar, a energia, a forte presença da religião e o grande elo entre o Rio e a Índia. Como eu já tinha visitado bastante templo no decorrer de todo este tempo de Índia, decidi não ire m nenhum templo de Varanasi, pois o tudo que eu estava vendo e presenciando era um verdadeiro templo a céu aberto. Por isso nos 4 dias que passei aqui fiquei fazendo basicamente o mesmo trajeto, subindo e descendo a margem esquerda do Rio, vendo as cerimônias de cremação dos corpos e pujas (http://en.wikipedia.org/wiki/Pujas).

Tirando isso, fui a Sarnath (http://en.wikipedia.org/wiki/Sarnath) uma cidade que fica próxima (10KM) a Varanasi, par air de Tuc Tuc, para visitar o local onde Buddha, após receber a iluminação, realizou sua primeira “missa” ou discurso para seus seguidores.

Varanasi tem uma energia especial, diferente, na verdade não sei se é por conta do Rio, da cidade, das pessoas, da relação entre o Rio e as pessoas ou se é a mistura de tudo isso, já que tudo está muito ligado, de maneira visceral. O Rio tem uma magia, uma força, que impression, não tem como eu explicar direito, tem que sentir, ver, ouvir, cheirar…mas é um lance diferente da enrgia de Rishikesh, é como se aqui essa energia, fosse mais caregada, sente-se mais a presença da religião, talvez as fotos possam traduzir um pouco isso que estou tentando dizer (http://www.flickr.com/photos/viagemmundoafora/), no álbum Varanasi.

Tudo acontece nas margens do Rio e em seus Ghats, desde o nascimento até a morte, bebês são banhados aqui, pessoas se casam, pessoas atravessam ou trazem corpos de todos os lugares para serem cremados ou morrerem aqui, as roupas são lavadas, postas para secar, as pessoas tomam banho, diariamente ao longo de todo o dia, outros mergulham em suas águas para purificarem a alma ou limparem seus kharmas , fazem suas pujas, dão banho nos búfalos, “jogam”estátuas dos Deuses,  jogam corpos ….tudo, tudo…

Algumas pessoas não podem ser cremadas, pois segundo a tradição são consideradas sagras, são elas: mulheres grávidas, crianças, os shadus/ bábas, os leprosos e as pessoas que morrem por picada ou mordida de animais. Este grupo é levado para o meio do Rio, em um barco e amarram um pedra na cintura, para que sejam jogadas no Rio e afundem.

 

 

fev
13

A Lei do “Todo Mundo”

Nas duas últimas semanas, uma frase me chamou a atenção ao converser com 2 ou 3 pessoas, quando perguntei porque elas pensavam de determinada forma em relação aos assuntos m questão. As respostas, apesar de assuntos e pessoas totalmente distintas, foram basicamente as mesmas: Porque todo mundo…

Então comecei a pensar que poderia existir uma espécie de lei universal, uma lei que não está escrita em nenhuma constituição, em nenhum código civil ou algum destes códigos de milhares de páginas, que só os bachareis de direito são capazes de interpretar,  como não achei nada, por também não ter procurado, então resolve intitular de: Lei do Todo Mundo.

Temos vários exemplos da Lei do Todo Mundo e estes começam cedo, ainda quando somos crianças, por nossa livre vontade ou por herança/ desejo paterno ou materno. Isto acontece quando por alguma convenção do conceito de normalidade, nos impomos ou nos impõe determinadas atitudes ou pensamentos, tais como:

-       Todo mundo tem determinado brinquedo;

-       Temos que torcer para o time que nosso pai torce e já cedo ganhamos uma camisa do time dele, sem nem saber o que representa

Um pouco mais tarde, quando estamos virando homenzinhos ou mulherzinhas, continuamos seguindo a tal Lei:

-       Todos mundo já beijou na boca;

-       Todo mundo já tem namorado ou já ficou com alguém;

-       Todo mundo já menstruou;

-       Todo mundo já transou;

-       Todo mundo vai para Disney ou viaja para fora

A fase da vida muda, mas continuamos seguindo a Lei:

Todo mundo já passou no vestibular e está na faculdade;

Todo mundo já experimentou maconha (pode até ser antes).

E a vida segue, como tem que ser e a Lei vai se transformando, mas sem perder seu apelo principal:

-       Todo mundo faz intercambio;

-       Todo mundo já está estagiando;

-       Todo mundo já está trabalhando;

-       Todo mundo já tem seu carro

Da mesma forma que a Lei Divina, do crescei-vos e multiplicai-vos, a Lei do Todo Mundo, também vai se multiplicando:

-       Todo mundo já casou;

-       Todo mundo já tem filho;

-       Todo mundo já ocupa cargo de liderança;

-       Todo mundo tem o carro tal, a roupa tal e o aparelho eletrônico XYZ;

-       Todo mundo frequenta o mesmo clube que o chefe;

-       Todo mundo em casa na praia ou campo.

Bem,, a lista poderia ser bem maior e talvez mais apropiada para cada fase de nossas vidas, mas o fato é que, todos nós e inclusive Eu, já seguimos alguma vez a Lei do Todo Mundo.

Claro que por trás desta lei, existe um forte apelo psicológico que é  necessidade de pertencimento, muito bem explorada pelo marketing do Eu tenho e Você não tem.  Por isso exercemos em nós mesmos uma pressão, muitas vezes inconsciente ou até mesmo consciente, para seguirmos a tal lei, pois também que fazer parte do grupo, não queremos ser visos como diferentes, anormais, for a da moda ou seja lá o que for. Para tal desenvolvemos um processo de auto convencimento ou auto defesa, desenvolvendo argumentos e pensamentos, que muitas vezes Todo Mundo usa, para justificarmos para nós mesmos ou para os outros a necessidade de agirmos, pensarmos ou possuir algo.

Todo este processo, em que muitas vezes estamos fadados a viver a vida dos outros ou melhor, viver a nossa vida em função dos outros, nos causa um stress, inconsciente, que está ligado ao desejo e/ou ao ego. Pois enquanto não seguimos a Lei do Todo Mundo, colocamos e desperdiçamos energia, na tentativa e no desejo de.  Quanto maior for este desejo e maior o esforço para tal, maior será a frustração, quando não conseguimos saciar esta necessidade, que muitas vezes não é verdadeiramente nossa.

É bem interessante também, observar o quanto a Lei do Todo Mundo, varia de grupo para grupo, desde de grupos sociais, grupos corporativos, religiosos, econômicos e etc., logo quando maior a quantidade de grupos aos quais estamos ligados, maior poderá será a quantidade e diversidade de Leis do Todo Mundo, que poderão nos influenciar.

Em um post recente que li no Facebook, onde falava sobre os maiores desejos de pacientes com cancer e que se encontravam em estado terminal, figurava entre eles, o desejo de terem vivido suas próprias vidas ao invés da vida dos outros.

Quem falou que para ser feliz ou bem sucedido na vida, temos que fazer, agir, pensar ou seguir a Lei de Todo Mundo? Garanto que também é feliz ou bem sucedido, quem:

-       Não tem o mesmo brinquedinho que o amigo;

-       Torce para um time diferente do pai;

-       Beija na boca depois dos 16 ou 17 anos

-       Começa a namorar ou fica com alguém depois dos 18 anos;

-       Transa depois dos 20;

-       Nunca foi para Disney ou viajou para fora;

-       Tenta 2 ou 3 vezes até passar no vestibular ou não tem uma faculdade

-       Nunca experimentou maconha ou cigarro na adolescência;

-       Nunca fez intercâmbio;

-       Só arruma estágio no final da faculdade;

-       Só tem seu primeiro emprego aos 25, 26…;

-       Ainda não tem out eve um carro zero;

-       Ainda não casou, mesmo depois dos 35;

-       Ainda não tem filho(s), mesmo depois dos 35, 36…

-       Ainda não ocupa cargo de liderança;

-       Não tem o carro importado, não usa a roupa da marca tal ou possui o aparelho/ brinquedinho eletrônico XYZ;

-       Não frequenta o mesmo grupo ou clube do chefe, ou;

-       Não tem casa de praia ou campo.

Garanto também que vocês conhecem algumas pessoas que não seguem nenhuma lei destas e é muito feliz e bem sucedido ou não? E garanto também, que algumas destas pessoas são referências, justamente por pensarem ou agirem de forma diferente do Todo Mundo. Enquanto todo mundo achava que a maçã caia da árvore por que Deus queria assim, alguém foi lá e provou que existia uma tal lei da gravidade ou que enquanto Todo Mundo achava que a Terra era plana, alguém foi lá e provou que era redonda.

Ok, nunca fui de muitos convencionismos mesmos, mas ainda bem que aos 40 anos, resolvi segui uma outra Lei e não a Lei de Todo Mundo…a Lei dos Meus Sonhos.

Namastê!!!

 

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